Câncer de próstata sem medo

Gláucio Soares organiza um blog de um paciente para pacientes, familiares e amigos. Cartas comerciais promovendo vendas e propostas de tratamentos sem apresentar os dados das pesquisas que demonstram sua eficiência não serão publicadas.

Abiraterona: depois da explosão midiática, uma realidade boa, mas moderada

Publicado por soares7 em Julho 24, 2008

Abiraterona: depois da explosão midiática, uma realidade boa, mas moderada

Ecoaram em todo o mundo as declarações do Dr. DeBono a respeito da abiraterona. Uma análise detalhada dos resultados dos experimentos mostra que o ôba-ôba visto na mídia do mundo inteiro não se justificava.
Os experimentos não mostram nada que possa justificar a esperança de que estejamos na iminência de transformar o câncer de próstata de uma doença mortal em uma doença crônica como, dentro de limites, aconteceu com o HIV/AIDS.
Os resultados são muito bons, sim, mas estão longe do ôba-ôba. Os vários grupos estudados já não tinham outra perspectiva do que morrer em poucos meses – ou menos. Tinham feito todos os tratamentos: uma ou mais linhas de tratamento hormonal e quimioterapia com Docetaxel. Nada mais dava resultado, nem surtia efeito. A abiraterona deu uma ajuda boa em muitos deles.
São vários experimentos levados a cabo em lugares diferentes, com controles variados (Uns tinham tomado esse tramento hormonal; outros um diferente e assim por diante).
Quais os resultados?
Em muitos a doença parou de progredir; em alguns regrediu um pouco; em alguns regrediu muito e em alguns o tratamento não surtiu efeito. Muitos, com metástase óssea dolorosa, puderam reduzir a morfina e os analgésicos.
São os melhores resultados que vi em muito tempo, a melhor novidade desde o docetaxel.
Mas não há nada que tenha sido divulgado que possa sugerir cura ou transformação em doença crônica. Há indícios de que o Dr. DeBono exagerou feio, pisou na bola e a mídia (e os pacientes como eu) queriam acreditar, precisavam acreditar. No meu caso,coincidiu com o exame semestral do PSA que indica que o câncer continua progredindo e tratamentos mais radicais se aproximam, com uma possível baixa grande na qualidade da vida.
O que há de seguro, confiando nos dados dos relatórios?
A abiraterona ajuda muitos, mas não todos. Dependendo do experimento, entre um quarto e metade dos pacientes não respondeu ao tratamento;
Para os que responderam bem, o tempo ganho é substancial, considerando o tempo ganho com as últimas descobertas (antes dessa).
A mediana (de sete a quinze meses) até a doença voltar a avançar significa que alguns – poucos – tiveram ganhos grandes de sobrevivência, mais de dois anos. Nessa faixa de idade, mesmo sem essa doença, não é desprezível.
Temos que aguardar os resultados com a pesquisa Fase III (com mil e duzentos pacientes) e o relatório, esperemos, escrito por alguém mais sóbrio.

Ver os relatórios técnicos em
http://www.cougarbiotechnology.com/docs/060208ASCO2008AnnualMeetingPresentations.pdf

ou clicar aqui

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