Câncer de próstata sem medo

Gláucio Soares organiza um blog de um paciente para pacientes, familiares e amigos. Cartas comerciais promovendo vendas e propostas de tratamentos sem apresentar os dados das pesquisas que demonstram sua eficiência não serão publicadas.

Promessa boa de verdade

Publicado por soares7 em Julho 22, 2008

Notícias recentes sugerem que um novo ingrediente, abiraterone, poderá vir a ser um tratamento eficiente do câncer de próstata (e de outros cânceres com base hormonal). As primeiras notícias sobre as “descobertas” freqüentemente são entusiásticas e, por isso, uso uma dose de moderação.

Uma promessa é a de que o abiraterone transformaria cânceres mortais em doenças crônicas. Viveríamos num estado de remissão permanente.

Quais os dados?

O Pesquisador Responsável, Dr. Johann de Bono, experimentou o medicamento em 21 pacientes com cânceres muito avançados. Depois da quimioterapia poucos sobrevivem mais do que um ano a um ano e meio. O medicamento encolheu os tumores em 80% dos pacientes – inclusive os com metástase óssea e/ou para outros órgãos. Muitos dos pacientes puderam ficar livres dos analgésicos fortíssimos, necessários para reduzir a dor nos piores casos de metástase óssea. A qualidade da vida parece ter melhorado muito para esses pacientes. Esse estudo piloto, com 21 pacientes, no Reino Unido, foi acompanhado por outros 250 pacientes espalhados pelo mundo. Outro teste, Phase III, com 1.200 pacientes está em andamento.

O remédio tem efeitos colaterais moderados, como retenção de líquidos e fadiga. Funciona bloqueando os hormônios que alimentam o câncer. Além disso, é de fácil aplicação: uma pílula, uma vez por dia.

Para quem?

O medicamento foi pensado para pacientes com cânceres avançados, cuja última trincheira, sabidamente temporária, seria a quimioterapia.

Quanto dura?

A duração dos efeitos positivos é muito relevante. Em muitos experimentos, os pacientes melhoraram mas, depois de alguns meses, o câncer progrediu. No caso do tratamento hormonal, muitos pacientes têm um período de melhorias mais amplo. Os dados apresentados dizem que os pacientes que receberam o medicamento até dezembro de 2005 ainda estavam se sentindo bem dois anos e meio mais tarde.

Quem fabrica?

O remédio é fabricado por uma companhia americana chamada Cougar Biotechnology. Segundo a publicidade, o remédio poderá estar disponível em 2011, mas às vezes há possibilidade de participar de um clinical trial.

Fonte: Journal of Clinical Oncology.

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