Câncer de próstata sem medo

Gláucio Soares organiza um blog de um paciente para pacientes, familiares e amigos. Cartas comerciais promovendo vendas e propostas de tratamentos sem apresentar os dados das pesquisas que demonstram sua eficiência não serão publicadas.

Um vírus torna o câncer visível

Publicado por soares7 em Julho 13, 2008

Um vírus do resfriado foi modificado geneticamente para não provocar o resfriado, por um lado, e mostrar onde há células de câncer de próstata, pelo outro. Essa linha de pesquisa quer possibilitar terapias baseadas em equipamento visual, com imagens, como os raios X, as tomografias computarizadas, os MRI’s, PET’s etc.
Para conseguir resultados, os tratamentos localizados (como diferentes dos sistêmicos) precisam saber onde há células cancerosas para atacá-las, idealmente antes que elas se espalhem (metástases). A Dra. Lily Wu, da UCLA, usou técnicas visuais com base nas moléculas. É um procedimento precursor de tratamentos baseados diretamente nas células. A tecnologia visual existente não consegue identificar colônias celulares mínimas, nem algumas metástases para os nódulos linfáticos. Os vírus modificados só atacam células de câncer de próstata. Após se instalarem nas células, os vírus estimulam as células a produzir uma proteína que aparecem quando escaneadas com equipamento PET (positron emission tomography). Com isso se localiza o câncer que pode ser bombardeado de várias maneiras.
O vírus gosta dos nódulos linfáticos, o que aumenta sua utilidade para os casos em que o câncer se espalhou para eles. Como muitos cânceres vão para lá primeiro, e para outros destinos depois, é uma chance a mais de pará-los cedo. Os pesquisadores injetaram o vírus em camundongos com câncer de próstata. Após esse procedimento, os cânceres apareceram nos exames PET. Agora estão trabalhando em medicamentos tóxicos para as células cancerosas. Os próximos testes serão com cães e, depois, com um número limitado de pacientes (em 2-3 anos).
Nunca é demais lembrar que o câncer de próstata mata perto de um quarto de milhão de pessoas todos os anos.
O artigo foi publicado em Nature Medicine.

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