Câncer de próstata sem medo

Gláucio Soares organiza um blog de um paciente para pacientes, familiares e amigos. Cartas comerciais promovendo vendas e propostas de tratamentos sem apresentar os dados das pesquisas que demonstram sua eficiência não serão publicadas.

Nova vacina e terapia hormonal dão bons resultados juntas

Publicado por soares7 em Julho 10, 2008

Philip M. Arlen, é o diretor de um grupo de pesquisas importante, o Clinical Research Group for the
Laboratory of Tumor Immunology and Biology, Center for Cancer Research
, no sério e prestigioso National Cancer Institute.

O grupo de Arlen reuniu 42 pacientes com câncer de próstata muito avançado, que já não respondiam à terapia hormonal. Como é de costume, dividiram os pacientes em dois grupos:

  1. um recebeu uma “vacina” que usa um vírus que zera sobre um antígeno que só é produzido pelas células da próstata;
  2. outro recebeu uma nova rodada de terapia hormonal com a nilutamida.

Quando a doença voltou a avançar, os pacientes tiveram a escolha de continuar recebendo o mesmo tratamento ou mudar para o outro.

Considerando todos os pacientes nessa pesquisa, 71% estavam vivos três anos mais tarde. A mediana de sobrevivência foi de 4,4 anos. (mediana: isso quer dizer que metade dos pacientes morreu antes de 4,4 anos e a outra metade ou morreu depois ou continuava viva).

Mas havia diferenças: 81% dos que tomaram a vacina estavam vivos três anos depois e a sobrevivência geral foi de 5,1 anos, ao passo que entre os que tomaram nilutamida os números eram mais baixos: 62% estavam vivos depois de três anos e a sobrevivência geral foi de 3,4 anos.

Porém, vinte pacientes fizeram uma terceira opção: 12 que tomaram a vacina passaram a tomar a vacina mais nilutamida e oito que haviam tomado nilutamida fizeram o mesmo, formando um grupo com os dois tratamentos (em todos o PSA voltou a crescer, mas não havia evidência de metástase).

Todos que tomaram vacina e depois nilutamida estavam vivos três anos depois, e a sobrevivência mediana foi de 6,2 anos. Os que fizeram o caminho oposto: vacina depois do hormônio tiveram piores resultados: depois de três anos 75% estavam vivos e a sobrevivência global foi de 3,7 anos.

O pesquisador principal, Arlen, teorizou que a resposta das células T melhora, se dirigindo para onde o câncer está localizado, por um lado, e a resposta é mais potente, pelo outro.

Essa é uma pesquisa do tipo Fase II, com poucos pacientes. Com base nela, os pesquisadores melhoraram a vacina e estão agora num teste FASE III. Segundo Arlen, o volume de pesquisas com vacinas leva a prever que em alguns anos talvez tenhamos uma vacina realmente eficiente.

Algumas observações puderam ser feitas, particularmente sobre quem se beneficia mais:

* Os pacientes com escore Gleason de 7 ou menos (sobrevivência mediana de 5,9 anos contra 3,1 years, P=0.033).
* Quem fez radioterapia antes (sobrevivência mediana de 5,9 contra 3,1 anos, P=0.018).
* Um PSA de menos de 20 ng/dl no momento da pesquisa (sobrevivência mediana de 5,1 contra 2,6 anos, P=0.013).

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