Radioterapia depois do fracasso da prostatectomia
Publicado por soares7 em Julho 4, 2008
Você foi operado. O PSA voltou ou nunca desapareceu. O que fazer em seguida? Dr. Bruce Trock e sua equipe compararam três grupos: os dois fizeram prostatectomia radical e o PSA “voltou”, mas um fez logo a chamada salvage radiotherapy (XRT), radioterapia depois da recorrência bioquímica (volta do PSA), outro fez radioterapia mais terapia hormonal e o terceiro esperou. Chegaram a conclusão de que fazer a radioterapia reduz a taxa de morte devida ao câncer de próstata.
Como foi a pesquisa?
Entre 1982 e 2004, 926 homens viram o câncer reaparecer depois de terem feito a prostatectomia, que incluiu a extração de nódulos linfáticos, no Johns Hopkins
Hospital. Os três grupos foram chamados de “observação” (OB arm), só radioterapia (sXRT
arm) ou radioterapia e terapia hormonal (androgen deprivation) (sXRT+ADT arm). Os pacientes foram acompanhados até dezembro de 2007. 635 pacientes foram acompanhados. A “volta do PSA” 0.2ng/ml ou mais. Havia 397 pacientes no grupo “observação”, 160 no radiação e 78 no sXRT+ADT – radiação mais terapia hormonal. A mediana do acompanhamento foi de 9 anos a partir da prostatectomia (ou seja= metade acompanhados por menos de nove anos e metade por mais). Desses,116 morreram de câncer de próstata e 49 de outras causas. Trinta por cento dos homens que não fizeram qualquer tipo de radiação tinham algum nódulo afetado, em comparação com 3% dos que fizeram. Os que fizeram as duas terapias complementares (sXRT+ADT) tinham cânceres mais avançados (razão pela qual os médicos partiram com tudo contra o câncer). Aos 5 e aos 10 anos as curvas de Kaplan-Meier mostraram diferenças importantes na sobrevivência por câncer de próstata. No grupo “obervação”, 88% e 62%; no grupo radiação, 96% e 86%; no grupo com as duas terapias complementares (sXRT+ADT), 96% e 82%.
Porem, essa é uma estimativa inexata porque os grupos não eram iguais. Em análises multivariatas que incluíam os demais fatores, o logaritimo do PSADT, o ano da cirurgia, o tempo que levou da cirurgia até a volta do PSA, e o escore Gleason, a radioterapia provocou uma redução estatisticamente significativa na mortalidade específica por câncer da próstata de mais de 65%. A terapia hormonal não fez diferença além da radiação.
Mas a resposta não foi igual para todos os pacientes: o PSADT dividido em mais de seis meses ou menos de seis meses separa bem os que se beneficiam mais dos que se beneficiam menos: para os casos mais graves, com um PSADT mais rápido (menos de seis emses) o efeito foi maior e os que fizeram XRT ou sXRT+ADT tiveram uma redução no risco de 75% em relação ao grupo que não fez tratamento adicional.
Porém, no grupo de homens cujo PSA nunca ficou indetectável a associação entre radiação e sobrevivência específica do CAP não foi estatísticamente significativa.
O grupo que mais se beneficiou foi aquele no qual o PSA ficou não detectável, mas cresceu rapidamente depois. Lembro que esses dados se referem a mortes por câncer de próstata e não a mortes por outras causas;
Fonte: JAMA. 2008 Jun 18;299(23):2760-9
PubMed Abstract
PMID: 18560003
Esta entrada foi publicada em Julho 4, 2008 às 10:17 am e é arquivado em PSA, PSADT, câncer, câncer de próstata, metástase, metástese, pesquisa sobre câncer de próstata, tratamento hormonal. Tagged: sobrevivência de câncer de próstata, vale a pena combinar cirurgia e radiação, nova radioterapia, Radioterapia depois da prostatectomia, radioterapia e terapia hormonal. Você pode seguir qualquer respostas para esta entrada através de RSS 2.0 feed. Você pode deixe uma resposta, ou trackback do seu próprio site.
marcia vidal disse
meu esposo retitou a prostata , depois de 3 meses o psa foi de 0,03, quando iniciar a radioterapia? a impotencia sexual e definitiva ou há recuperação,se há quais são os metodos utilizados? ESPOSO:55 anos