Câncer de próstata sem medo

Gláucio Soares organiza um blog de um paciente para pacientes, familiares e amigos. Cartas comerciais promovendo vendas e propostas de tratamentos sem apresentar os dados das pesquisas que demonstram sua eficiência não serão publicadas.

Mais detalhes sobre o uso profilático da finasteride

Publicado por soares7 em Junho 13, 2008

Esse é um caso interessante, porque revela como a análise de dados é crucial e nem sempre é cuidadosa.
Houve uma grande pesquisa, chamada Prostate Cancer Prevention Trial, com mais de dez mil participantes. A análise dos dados iniciais dessa pesquisa foram desestimulantes em relação ao potencial profilático da finasteride (Proscar).
Uma reanálise dos mesmos dados feita por Ian M. Thompson, da University of Texas Health Science Center em San Antonio chegou a resultados bem diferentes. Dividiram os pacientes em cinco grupos de risco, de acordo com o critério mais comum (PSA). O tratamento preventivo com finasteride reduziu o risco de câncer de próstata nos cinco grupos. Porem, os benefícios se reduziam – mas não muito – à medida em que o PSA dos pacientes era mais elevado. Para mim esse é mais um caso de possível vício na seleção dos pacientes, uma vez que o risco de já terem câncer no início da pesquisa aumenta com o PSA. Como o tratamento hormonal não é curativo, uma vez estabelecido o câncer, ele tende a voltar.
Quero enfatizar que a redução do risco não é um critério absoluto. O paciente tem que jogar o que ganha contra o que perde. Comecemos com o óbvio: queremos reduzir o risco de câncer de próstata em menos de 1% a um custo de pesados efeitos colaterais x, y e z? E se reduzirmos o risco em 10%? Em 50%? E assim por diante.
É, claramente, uma escolha do paciente. O médico deve informá-lo do que ganha e do que perde.
Fonte: Urology, Maio de 2008.

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