A sua probabilidade de sobreviver depende de onde você está na curva da sobrevivência
Publicado por soares7 em Janeiro 7, 2008
É quase intuitivo olhar para uma curva de sobrevivência para suas características e achar que sabe qual o seu risco – e que será esse o risco para sempre.
Nada disso. Seu risco muda no tempo – mesmo que o PSA etc. não mudem.
A boa notícia é que EM GERAL o risco muda para melhor (o risco diminui). As curvas de sobrevivência mostram como o risco muda no tempo. O seu risco não é absoluto, ele é condicional.
O autor do artigo merece destaque. Primeiro, inventou um câncer para ilustrar o que demonstrou, chamado de “horrendoma”. Pior, colocou todos nós (para ilustrar apenas) num estágio avançado. O estágio III. No Português da minha juventude, estaríamos “fudidos e mal pagos”.
A curva das pessoas com horrendoma, estágio III, foi bolada para ilustrar como o risco vai mudando. Ela é parecida com a curva de alguns cânceres mais pesados do que o de próstata. Depois de um ano, 30% das pessoas com horrendoma, estágio III, já eram. Estavam reunidos com seus antepassados e, segundo eu creio, com Deus. Mais um ano e outros 30% batem o pacau. No Português da minha juventude,isso significa que morreram. Dos 100% iniciais, agora sobram apenas 40%. Reproduzo o gráfico: na horizontal, o número de anos; na vertical a proporção de sobreviventes. A bolinha com “You Are Here” significa onde você está, depois de três anos.

Se você está lendo esse poster e ainda está neste plano, verá que depois de trê sanos 70% dos pacientes de horrendoma já morreram. Claro que isso não quer dizer que você está 70% morto e 30% vivo. Significa que você está entre os felizes 30% que sobreviveram. O autor, astutamente, afirma que você deve estar perguntando: “E dai?” E eu com isso? Aqui vem a notícia boa: o maior risco de morrer era durante os três primeiros anos e você não morreu. Daqui para diante o risco baixa. Refazendo a curva daqui para diante (e enterrando os que já eram), seu risco diminuiu. A nova curva de sobrevivência é muito melhor, mais favorável, e o risco é menor.

Logo no diagnóstico, sua chance de sobreviver cinco anos era apenas 20%. Mas agora, que a curva está menos inclinada, ela mudou para 66% (2 em 3).
A despeito do fato, conhecido galaticamente que o estagio III de horrendoma acarreta um prognóstico horrível, seu prognóstico melhorou muito. Seu risco de bater o pacau devido ao horrendoma é muito menor do que há três anos!
O autor dessa ilustração foi diagnosticado com câncer de rins metastizado. Dois anos depois, apenas 10% sobrevivem. Felizmente, ele sobreviveu.
O câncer de próstata é bem diferente. Do lado bom, a letalidade é mais baixa; do lado ruim, há um contraste com a maioria dos cânceres, que são mais letais e mais rápidos. Em vários deles, quem sobrevive cinco anos é considerado curado; em outros, quem sobrevive dez anos é considerado curado. No câncer de próstata, como disse o meu oncólogo, nem a volta do PSA nem a morte chegam a zero. Mas o seu risco muda e convém reajustar seus cálculos.
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