Idosos, depressão e suicídio
Publicado por soares7 em Agosto 27, 2007
A grande maioria dos conhecimentos sobre a relação entre idade e suicídio, particularmente sobre o suicídio de idosos, vem de fora do Brasil. No Brasil, o crescimento do número dos idosos é mais recente e a pesquisa social no Brasil está engatinhando. Fala-se muito, pesquisa-se pouco.
Comecemos com os Estados Unidos:
- em 2004, a população da Terceira Idade (65 e mais) representava 12% do total e 16% dos suicidas;
- a taxa de suicídio nessa faixa era de 14,3 por 100 mil, mas a da população como um todo era de 11;
- a taxa crescia na Quarta Idade (85 e mais), particularmente entre homens brancos, onde atingia 49,8 por 100 mil.
A depressão é amiga íntima do suicídio. Há muitos estudos sobre essa relação. Alguns concluem que [até] 75% dos idosos suicidas tinham buscado assistência médica no mes anterior ao suicídio. Isso nos diz, pelo menos, duas coisas:
- problemas de saúde são um dos incentivos ao suicídio entre idosos e
- os profissionais da saúde, sobretudo médicos e enfermeiras, podem ajudar a detectar um suicida em potencial.
Esses dados também sublinham a necessidade de lidar com a detecção e o tratamento da depressão como um passo importante para a prevenção dos suicídios.
Porque cresce a depressão entre os idosos?
- O risco cresce com outras doenças, físicas ou mentais. A depressão é a grande co-morbida (doença que ocorre junto com outra(s) doença(s)).
- O risco cresce com o declínio funcional. Depressões pesadas afetam sobretudo os que tem que ser hospitalizados. Os que vivem “na sociedade” apresentam uma percentagem de deprimidos que varia entre 1% e 5%; entre os hospitalizados chegam a 11-12% e entre os que requerem tratamento em casa chegam a 13-14%.
- Nos EUA, perto de 5 milhões vivem com sintomas de depressão, mas não apresentam um quadro claro que permita um diagnóstico. Ela é particularmente frequente entre idosos e aumenta o risco de desenvolver uma depressão séria.
É importante repetir e repetir mais que a depressão NÃO é parte “normal” do envelhecimento. Sentimentos de tristeza, luto, dor etc. acontecem regularmente, são normais e quase inevitáveis. Mas a depressão não é normal e é evitável. A depressão afeta seriamente a funcionalidade dos idosos.
Assim, a prevenção dos suicídios entre idosos passa pelo tratamento da depressão. Em muitos idosos, a depressão vem primeiro, faz um estrago na qualidade de vida do idoso, e o suicídio vem depois. O pessoal médico e até familiares tendem a empurrar com a barriga a depressão dos idosos, que explica como as taxas de diagnóstico são baixas, mas pesquisas específicas revelam que elas são muito mais altas.
Além disso, a depressão dificulta o tratamento de outras doenças, o que é gravíssimo devido à alta comorbidade da depressão. Ela está frequentemente acompanhada de outra doença física ou mental.
O tratamento passa por remédio (antidepressivos receitados por psiquiatras competentes e por ninguém mais) e por psicoterapia. São tratamentos que podem, com certo esforço e perseverança, ser obtidos gratuitamente ou a baixo custo. Um bom parente faria o trabalho de localizar esses serviços.
É possível encontrar felicidade na Terceira Idade. Tecnicamente, aos 73, eu já sou “velho-velho” e enfrento um câncer há 11 anos, já tive embolias pulmonares múltiplas e tenho uma fibrilação atrial muito chata e ameaçadora (aumenta muito o meu risco de AVC). Ajudar os outros, particularmente crianças pobres e coroas como eu me dá alegria. Espero que todos os coroas encontrem alegria em alguma atividade.
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Arthur Baisch Imperatori disse
Boa Tarde. Embora eu não seja ainda considerado um idoso (54 anos) fui diagnosticado com portador do cancer prostático e os médicos estão decidindo qual o tratamento mais adequado para o meu caso (cirugia ou medicação).Confesso que estou completamente apavorado pois não estava preparado para isto. Já estou tomando anti-depressivo pois minha vida sexual é ainda bastante rica. Caramba porque tão cedo? Arthur
Caro Arthur:
é verdade que, usualmente, o diagnóstico vem mais tarde, mas nem por tanto tempo. Não gostei da tua expressão “os médicos estão decidindo qual o tratamento mais adequado para o meu caso“. Os médicos devem informar o paciente, nos mínimos detalhes, dos prós e contras de cada opção, mas a decisão é do paciente. Busque mais informações. Leia muito. Se fizer cirurgia, peça que façam a preservação bilateral dos nervos e escolha um cirurgião que faz/fez muitas cirurgias do mesmo tipo. Muitas dezenas por ano, no mínimo. Além disso, se possível, um médico que tenha estudado em boas universidades, trabalhe em bons hospitais, leia Inglês e use a internet.